domingo, 27 de maio de 2012

Platão - "O Estado dos filósofos"


No diálogo “A República”, Platão descreve o Estado ideal, isto é, ele imagina um Estado-modelo – ou aquilo que designamos por "Estado utópico". Resumidamente, podemos dizer que, para Platão, o Estado deve ser governado por filósofos. Toma como ponto de partida o homem individual.
Segundo Platão, o corpo humano é constituído por três partes, a saber: a cabeça, o peito e o abdômen. A cada uma destas partes corresponde uma faculdade. À cabeça corresponde a razão, ao peito a vontade, ao abdômen o prazer ou a concupiscência. A cada uma destas faculdades pertence ainda um ideal ou uma virtude. A razão deve procurar a sabedoria, a vontade deve mostrar coragem, e a concupiscência deve ser refreada, para que o homem possua temperança. Só quando as três partes atuam em consonância temos um homem harmonioso ou íntegro. Na escola, as crianças têm de aprender primeiro a refrear a sua concupiscência, depois é desenvolvida a coragem, e por fim devem desenvolver a razão e adquirir a sabedoria.
Platão imagina um Estado que é organizado exatamente como um homem. Assim como o corpo possui "cabeça", "peito" e "abdômen", o Estado possui soberanos, guardiões (ou soldados) e os comerciantes (grupo ao qual pertencem, além dos comerciantes, os artesãos e os camponeses). Torna-se claro que Platão toma como modelo a ciência médica grega. Assim como um homem são e harmonioso apresenta equilíbrio e temperança, aquilo que caracteriza um Estado justo é o fato de cada um conhecer o seu lugar no todo. Tal como a filosofia de Platão em geral, também a sua filosofia política está impregnada de racionalismo. Decisivo para a criação de um bom Estado é ele ser dirigido com razão.
Tal como a cabeça dirige o corpo, são os filósofos que têm de governar a sociedade. Faço agora uma apresentação resumida da relação entre os três componentes do homem e do Estado:
Homem Estado


Corpo
Cabeça
peito
abdômen

Virtude
Sabedoria
Coragem
temperança

Alma
razão
vontade
concupiscência

Estado
soberano
guardiões
artesãos


O Estado ideal de Platão pode fazer lembrar o antigo sistema indiano de castas, onde cada um tinha a sua função específica para o bem do todo. Desde o tempo de Platão e ainda antes – o sistema indiano de castas conhece exatamente esta tripartição entre a casta governante (ou a casta dos sacerdotes), a casta guerreira e a casta dos artesãos.

Hoje diríamos talvez que o Estado de Platão é um Estado totalitário. Devemos reparar que ele era da opinião de que as mulheres poderiam governar o Estado tal como os homens, precisamente porque os soberanos devem governar a cidade-estado em função da sua razão. Segundo Platão, as mulheres tinham tanta racionalidade como os homens, se recebessem a mesma formação, e se fossem ainda libertadas do cuidado das crianças e das tarefas domésticas. Platão queria abolir nos soberanos e nos seus guardiões a família e a propriedade privada. A formação das crianças era demasiado importante para ser deixada aos indivíduos. A educação das crianças tinha de estar a cargo do Estado. (Platão foi o primeiro filósofo que se pronunciou a favor de jardins infantis e escolas públicas).

Depois de ter tido algumas desilusões políticas, Platão escreveu o diálogo “As Leis”. Descreve nele o "Estado de lei" como o segundo melhor Estado e introduz de novo a propriedade privada e os laços familiares. Desta forma, a liberdade das mulheres é restringida. Mas ele diz também que um Estado que não educa e forma mulheres é como um homem que apenas exercita o seu braço direito.

Podemos basicamente dizer que Platão tinha uma opinião positiva das mulheres – pelo menos para o seu tempo. No diálogo “O Banquete” é uma mulher, Diotima, que revela a Sócrates o seu saber filosófico.

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